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quinta-feira, 21 de abril de 2011

SUBSIDIOS PARA O TRABALHO DOCENTE

PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE BRAGANÇA PAULISTA
SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO

NÚCLEO DE APOIO AO PROFESSOR E AO ALUNO
Educador(a),

Ao iniciar mais um ano letivo, nos deparamos com a organização da sala, do nosso material e do trabalho que desenvolveremos com essa nova turma. Sabemos que independentemente das crianças estarem distribuídas em módulo ou ciclos o que deve ser o centro de nossa ação pedagógica é o respeito e a valorização dos conhecimentos que esses alunos têm e de suas necessidades de aprendizagem.

Já que tomamos como princípio de nosso trabalho pedagógico a singularidade de cada sala, é extremamente importante conhecer o novo grupo com que iremos atuar. Para isso, sugerimos algumas atividades que serão desenvolvidas antes de realizar o planejamento, que chamamos de caracterização da sala. Por meio desse instrumento e da sua observação atenta, colheremos informações imprescindíveis para a elaboração de um plano de trabalho que atenda as peculiaridades de seus alunos, pois sabemos que nossos grupos são heterogêneos e possuem saberes diversos.

Por esse motivo, a caracterização da sala funcionará como elemento disparador para seu plano de trabalho, por isso, ele é único, individual. Além disso, permite que o planejamento deixe de ser encarado como algo meramente técnico e burocrático para se tornar um planejamento real, funcional e adequado às necessidades de cada sala. Nesse material, você encontrará sugestões para realizar uma boa caracterização (página 2).

Como você pôde ver a caracterização é o ponto de partida na elaboração do planejamento. O passo seguinte consiste em consultar os Parâmetros e Referenciais para o seu segmento/modalidade e as metas estabelecidas pela SME as quais representam o que a Equipe Pedagógica espera do trabalho do professor em sala para conquistar educação pública de qualidade. (Anexo I)

O planejamento por ser bimestral deve ter claro seu foco de trabalho atrelado às metas propostas para seu segmento - modalidade de trabalho, ou seja, o que se pretende priorizar no bimestre. Sendo assim, não deve se caracterizar por ser uma listagem de conteúdos, mas sim valorizar o processo da sala e as competências a serem desenvolvidas no caminho.

Ressaltamos então a tríade que compõe o nosso entendimento de planejamento que deve se articular dessa maneira: metas anuais para cada segmento- planejamento bimestral- semanário.

Como estamos em constante processo de aprendizado é importante retomar os ganhos de cada bimestre para permitir uma re-orientação do trabalho pedagógico. Por isso, acreditamos que a cada bimestre, seguido da avaliação de percurso, você possa reconduzir seu trabalho, tendo como foco as necessidades de sua sala e as metas que pretende atingir.

Ainda nessa tríade: metas anuais- planejamento bimestral- semanário indicaremos modos de organizar os saberes durante os bimestres, numa proposta conhecida como modalidades organizativas, apoiadas nos estudos de LERNER, 2002.

Assim, planejar as situações didáticas dentro das modalidades organizativas permite envolver todos os alunos da sala, com seus diferentes saberes, de modo que possibilite trocas entre os agrupamentos previamente estabelecidos pelo professor. Além do mais, quando o professor articula a tríade citada acima para um bom planejamento distribui melhor as atividades dentro do tempo didático que deixa de ser encarado como um “grande vilão” para permitir a observação do processo dos alunos orientando mais uma vez as trilhas nas quais o professor deverá seguir para efetivar boas situações de aprendizagem. Alguns itens devem nortear a prática do professor quanto à organização do tempo didático e as formas que está se utilizando para organizar as atividades que serão propostas. São eles:

1- definir claramente as atividades

2- organizar grupos

3- disponibilizar recursos materiais adequados

4- definir o tempo previsto para a realização da atividade


Por fim, o presente material foi elaborado a partir dos próprios documentos que norteiam nossa política educacional. Para muitos, esse material não é uma novidade, pois são textos lidos em cursos e em outros momentos de formação. No entanto, eles são apresentados novamente para instigar a reflexão e a discussão sobre o trabalho desenvolvido em nossas escolas e proporcionar mudanças em nossa prática pedagógica, redirecionando nossas ações para 2010.

1. CARACTERIZAÇÃO DA SALA DE AULA
Sabemos que a heterogeneidade em sala de aula é inevitável, pois sempre teremos alunos com níveis de conhecimento e compreensão diferenciados e, por isso, é preciso conhecer, analisar e acompanhar o que eles produzem, para adequar as propostas, considerando as possibilidades de aprendizagem.

Nesse sentido, o desafio é conhecer o que eles pensam e sabem sobre o que se pretende ensinar (isso indica suas reais possibilidades de realizar as tarefas ), para poder lançar problemas adequados às necessidades de aprendizagem.

O conhecimento que o professor tem sobre o que os alunos já sabem, ou seja, os conhecimentos prévios que eles têm, deve estar a serviço do planejamento das situações didáticas propostas .

Vale lembrar, que jamais o conhecimento que o professor tem dos alunos poderá se transformar em um recurso para rotulá-los, tampouco em critérios para a formação de classes supostamente homogêneas ( classe, por exemplo, formada apenas por alunos mais avançados ou mais “atrasados”).

Apresentamos a seguir algumas sugestões que com certeza ajudará o professor na observação de cada aluno e do grupo como um todo.

● Quando realiza atividades em grupo com seus alunos, você observa se são capazes de argumentar, defender suas idéias, ouvir a opinião do outro, construir e respeitar regras, comprometer-se com o grupo?

● Quando realiza jogos e brincadeiras, você percebe nas atitudes de seus alunos que são capazes de liderar, conviver com perdas e ganhos, aceitar os colegas, as regras; manifestam preferência por alguns amigos, demonstram timidez ou se isolam, brincam com amigos imaginários, etc.

● Na roda de leitura, você observa que seus alunos demonstram interesse pelos diferentes gêneros textuais, sentem prazer em ouvir uma leitura, demonstram interesse em recontar histórias, etc.?

● Nas oportunidades em que você propõe uma situação-problema seus alunos, apresentam soluções, levantam diferentes hipóteses, se intimidam demonstrando medo?

● Nas situações diárias, como seus alunos se comportam em relação ao ambiente escolar: conservação do prédio, limpeza da sala, uso da água , cuidado com o jardim, horta, lixo, alimento .

a. SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS PARA SEREM DESENVOLVIDAS COM O OBJETIVO DE CONHECER OS ALUNOS


● Jogos: cooperativos, competitivos, de raciocínio lógico etc.

● Brincadeiras, cantigas, rodas, atividades esportivas, brinquedos

● Atividades artísticas: apreciação ou produção ( musica, pintura, filmes)

● Roda de conversa com assuntos propostos pelo professor ou pelo aluno (temas atuais, preferências, vivências, fotos, etc.)

● Oficinas: engenhocas, dobradura, culinária, etc.

● Atividades interclasses: gincanas, jogos, leituras, etc.

● Dinâmicas para conhecer o grupo e estabelecer relações

● Avaliação diagnóstica da escrita.

Obs. Ditado de palavras de um mesmo campo semântico ou produção textual com ou sem apoio .

2. ORGANIZAÇÃO DAS SITUAÇÕES DIDÁTICAS
Situações didáticas ajustadas às necessidades de aprendizagem dos alunos pressupõem selecionar atividades adequadas, montar agrupamentos produtivos dos alunos (quando as atividades serão realizadas em parceria), fazer a intervenção pedagógica, isto é, formular perguntas que os ajudem a pensar enquanto trabalham, oferecer sugestões e informações úteis para fazê-los avançar em suas aprendizagens.

Assim, as situações didáticas deverão ser planejadas contemplando:

● desafios que estejam ajustados às possibilidades de aprendizagem dos alunos ;

● parcerias que potencializarão os esforços intelectuais dos alunos ;

● questões para os alunos pensarem, propiciando uma intervenção problematizadora, ou seja, com bons problemas para serem resolvidos pelos alunos .

Segundo Coll (1998), para que as situações didáticas se efetivem com sucesso, o professor precisa, primeiramente, fornecer orientações gerais que implicam:
● Informar os alunos sobre o que se pretende com as atividades, de forma que sintam que o que fazem responde a algum objetivo.

● Preparar os alunos antes de toda e qualquer mudança que for ocorrer em relação ao uso do tempo, organização do espaço, formas de agrupamento, utilização dos materiais, propostas de atividade, entre outras.

● Criar um ambiente favorável à aprendizagem e ao desenvolvimento de autoconceito positivo e de confiança na própria capacidade de enfrentar desafios.
a. MODALIDADES ORGANIZATIVAS E TEMPO DIDÀTICO

O tempo é sempre um fator de discussão no planejamento das situações didáticas e no planejamento dos conteúdos. O tempo didático parece-nos sempre escasso em relação a quantidade de conteúdos que desejamos trabalhar em uma determinada série ou em um determinado bimestre.

Portanto o tempo didático se refere ao tempo educativo de trabalho realizado com os alunos, em que os conteúdos não surgem espontaneamente nem são escolhidos aleatoriamente, mas sim eleitos e selecionados segundo os objetivos e as competências a serem desenvolvidos, definidos no projeto educativo da escola e no planejamento do professor.

Outro fator importante que o professor deverá considerar é a organização do tempo didático interfere na construção da autonomia dos alunos, uma vez que estes precisarão controlar a realização de suas atividades por meio de monitoramento e intervenções docente. Nesse sentido, faz-se necessário que o professor assuma a posição de orientador da aprendizagem.


b. MODALIDADES ORGANIZATIVAS: FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DE CONTEÚDOS
As modalidades organizativas são as diferentes formas de administrar e organizar o tempo didático. Entretanto faz-se necessário otimizar o tempo didático, aprendendo a controlá-lo e a potencializá-lo. Para isso, o professor precisa organizar e planejar, minuciosamente, as situações didáticas em sala de aula.

Além da seleção dos conteúdos a serem trabalhados e do tipo de atividade específica que será proposto, há ainda outra importante decisão pedagógica, relacionada ao tratamento dos conteúdos: a depender dos objetivos que se tem e que podem ser trabalhados na forma de:
● Atividades permanentes.

● Atividades sequenciadas.

● Atividades independentes: ocasionais e de sistematização.

● Projetos.

I. Atividade permanente

As Atividades Permanentes são aquelas que se repetem de forma sistemática e previsível diária, semanal ou quinzenalmente, ao longo de um determinado período de tempo, possibilitando o contato intenso com determinado conteúdo.

Essas atividades são apropriadas para se construir posturas, valores e atitudes, como, por exemplo, nas situações em que o professor lê para os alunos, em que se comunica o chamado ”comportamento leitor”, indicando a importância e a relevância da leitura, possibilitando o contato e o desenvolvimento do prazer de ler e ouvir histórias.

Essa modalidade organizativa visa responder às necessidades básicas de cuidados, aprendizagem e de prazer para os alunos, cujos conteúdos necessitam ser constantes.

É o caso de atividades como:

● Leitura diária feita pelo professores

● Roda semanal de conversa: (hora da notícia, hora da curiosidade, sistematização de algum conhecimento adquirido etc.)

● Roda semanal de leitura (socialização dos livros lidos, indicação de leitura ou de algum autor, falar sobre o que gostou ou não gostou, discutir e

ler biografias dos autores já lidos...)
● Visita à biblioteca (para aprender a buscar, pesquisar e saber para que serve...
● Empréstimo de livros (para ler com os familiares e amigos)

● Atividades de escrita (alfabetização)
● Atividade de leitura (alfabetização)
● Análise de bons textos- (análise lingüística das características de um bom texto/dos recursos utilizados pelo escritor, como também compreender as entrelinhas)

II. Atividade sequenciada

São as planejadas em uma seqüência encadeada: o que vem a seguir depende do que já foi realizado (aprendido) anteriormente. Essa modalidade se constitui em um conjunto de atividades ordenadas, estruturadas e articuladas. Para ensinar um ou mais conteúdos, etapa por etapa organizadas de acordo com os objetivos que o professor quer alcançar para a aprendizagem de seus alunos, elas envolvem atividades de aprendizagem e de avaliação. Por exemplo:

● Estudar e compreender o ciclo da água .

● Produzir textos de um determinado gênero: por ex.: carta, bilhete, artigo de opinião

● Construção de ortografia

● Ler diferentes obras de um mesmo autor

● Atividade de leitura e escrita com textos de memória segue uma ordem: 1º memorizar/ 2º escrever/ 3º ordenar (para leitura.)

● Trabalho com textos: conto, reconto, reescrita se dá em uma seqüência

● Trabalho com revisão: discurso (coesão e coerência), pontuação, ortografia e gramática.

● Oficinas de produção de texto.

● Projeto é uma sequencia de trabalho com o objetivo do produto final.

● Análise de um gênero textual produzido por diferentes autores.

● Estudo sobre algum autor em específico

● Pesquisa de algum assunto que será estudado.
Observação: as atividades sequenciadas acontecem o tempo todo nas diversas disciplinas como também nas demais modalidades organizativas (projetos, atividades permanentes, atividades de sistematização)


III. Atividades de sistematização
Embora não decorram de propósitos imediatos, tem relação direta com os objetivos didáticos e com os conteúdos: são atividades que se destinam a sistematização dos conteúdos estudados. Exemplos:

● Roda de conversa: discutir sobre algo que já foi estudado para verificar o que foi aprendido e o que precisa ser retomado...

● Discussões, onde o aluno coloca o que entendeu sobre determinado assunto

● Registros organizados de conteúdos estudados (anotações, sínteses, relatos...)

IV. Atividades independentes
São aquelas que não foram planejadas a priori, mas que fazem sentido num dado momento. Por exemplo: em algumas oportunidades, o professor encontra um texto que considera valioso e compartilha com os alunos, ainda que pertença a um gênero ou trate de um assunto que não relaciona às atividades previstas para o período. E, em outras ocasiões, os próprios alunos propõem a leitura de um artigo de jornal, um poema, um conto que os tenha impressionado e que o professor também considera interessante ler para todos. Nesses casos, não teria sentido nem recusar à leitura dos textos em questão, pelo fato de não ter relação com o que se está fazendo no momento, nem inventar uma relação inexistente.


V. Projetos

São situações didáticas em que professor e alunos se comprometem com um propósito e com um produto final: em um projeto, as ações propostas ao longo do tempo têm relação entre si e fazem sentido em função do produto que se deseja alcançar...

... Entretanto, a defesa dos projetos como modalidade privilegiada de organização dos conteúdos escolares não significa que tudo possa ser abordado por meios de projetos. É tarefa do professor identificar qual a melhor forma de abordar o que deve ensinar aos alunos...

... o projeto é uma modalidade organizativa pertinente para se trabalhar determinados conteúdos de forma significativa, para desenvolver competências. É necessário que as questões partam do grupo, que estejam diretamente ligados aos interesses das crianças e permitam o estabelecimento de múltiplas relações, ampliando o conhecimento de professores, alunos, pais e comunidade escolar sobre um assunto em especifico também aproximar das práticas sociais reais de uso

“O trabalho com projetos possibilita a articulação com outras áreas do conhecimento, ou seja, permite a interdisciplinaridade e a transversal idade, além da inserção da educação de forma ampla na cultura, como também valorizam o trabalho do professor que, em vez de ser alguém que reproduz ou adapta o que está nos livros didáticos e nos manuais, passa a ser um pesquisador de seu próprio trabalho. O professor torna-se alguém que também busca informações sobre o tema eleito, incentiva a curiosidade e a criatividade do grupo e, sobretudo, entende as crianças como sujeitos que tem uma historia e que participam ativamente do mundo construindo e reconstruindo a cultura na qual estão imersos”

O projeto deve contemplar:
● Objetivo (compartilhado com os alunos)

● Justificativa (Por que)

● Objetivos específicos (conteúdo)

- O que se espera que os alunos aprendam.

● O que o professor deve garantir no decorrer do projeto. (O que, como)

● Etapas previstas. (cronograma) (como, quando)

● Produto final. (o que)
3. APRESENTAÇÃO DOS CONTEÚDOS ESCOLARES

Segundo WEIZ (1998), os conteúdos escolares devem manter suas características de “objeto sociocultural real”, ou seja, não devem ser propostos conteúdos fragmentados ou escolarizados de forma a perder seu contexto real, ou seja, seu significado social.

De acordo com César Coll (1998), o conteúdo escolar significa tudo que se ensina e se aprende formal ou informalmente na escola, como:
● fatos

● conceitos

● procedimentos

● normas

● valores

● atitudes
Esse conceito de conteúdo escolar propõe romper com um ensino centrado apenas na memorização repetitiva e na assimilação mais ou menos compreensiva de conceitos ou sistemas conceituais. Assim, Coll amplia o conceito de conteúdo escolar incluindo os aspectos conceituais, procedimentais e atitudinais, e sugere que o professor planeje e desenvolva atividades de ensino que permitam que seus alunos trabalhem de forma a inter-relacionar esses três aspectos .

Cabe destacar que é importante assegurar uma aproximação entre a “versão escolar” e a “versão social” das práticas e conhecimentos que se convertem em conteúdos na sala de aula e a interação entre os alunos como vantagem pedagógica a favor da aprendizagem.

Esse fenômeno que denominamos transposição didática é evidenciado por Chevallard. Isso permite tomarmos consciência de que a distância entre o objeto de conhecimento que existe fora da escola e o objeto que é realmente ensinado na escola é um fenômeno que afeta todos aqueles que ingressam na escola para ser ensinados .

Vale lembrar que é responsabilidade de cada professor prever atividades e intervenções que favoreçam a presença, na sala de aula, do objeto de conhecimento tal como foi socialmente produzido, assim como refletir sobre sua prática e efetuar as retificações que sejam necessárias e possíveis.
4. O QUE É A ROTINA?

A rotina é um instrumento para concretizar as intenções educativas. Ela se revela na forma pela qual são organizados: os espaços, os materiais, as propostas, as intervenções do professor .
a. A ROTINA È FUNDAMENTAL PARA:

➔ a construção do ensinar, pois ela permite que o professor reveja sua proposta de trabalho e a reformule, quando necessário ;

➔ o acompanhamento do processo de aprendizagem: quando bem planejada, permite conhecer as razões dos progressos dos alunos, ou os motivos pelos quais não progrediram ;

➔ A construção do conhecimento dos alunos, já que deve estar voltada para uma metodologia de resolução de problemas ;

➔ a construção do tempo, pois é preciso saber administrá-lo;

➔ definir o tempo das atividades, por que cada atividade tem um tempo, que por sua vez tem um conteúdo que, por sua vez, tem um encaminhamento específico ;

➔ definir a freqüência das atividades;

➔ lidar com o tempo, o espaço, os materiais e os conteúdos .

➔ Se ter claro O QUE FAZER, POR QUE FAZER, COMO FAZER, E O TEMPO DESTINADO ÀS ATIVIDADES .


b. A ORGANIZAÇÃO DE UMA ROTINA PRODUTIVA PRECISA :
➔ garantir a necessária flexibilidade ;

➔ considerar as necessidades de aprendizagem dos alunos e as melhores formas de atendê-las;

➔ considerar os diferentes desafios colocados para os alunos durante todo o ano ;

➔ buscar formas de organização do espaço e das atividades , de maneira a favorecer interações produtivas entre os alunos ;

➔ observar os processos de aprendizagem dos alunos e organizar intervenções pedagógicas a partir dessas observações .

➔ PREVER PROPOSTAS ARTICULADAS DE ATIVIDADES E DE TRATAMENTO DOS CONTEÚDOS .

➔ adequar as propostas didáticas às possibilidades reais de aprendizagem dos alunos;

➔ informar aos alunos o que se pretende com as atividades, levando-os a sentir que sua atuação responde a algum tipo de objetivo/necessidade;

➔ preparar os alunos antes de introduzir toda e qualquer mudança ou novidade na rotina ,seja qual for o aspecto ( organização dos materiais , propostas e intervenções do professor etc..)

➔ apresentar as atividades de maneira a incentivar os alunos a dar o melhor de si mesmos e a acreditar que sua contribuição é relevante para todos.

➔ criar um ambiente favorável à aprendizagem dos alunos, bem como ao desenvolvimento de seu autoconceito positivo e da confiança em sua própria capacidade de enfrentar desafios

➔ (por exemplo, por meio de situações em que ele seja incentivados a se colocar, fazer perguntas, comentar o que aprenderam etc. ) *

(*GUIA DO FORMADOR – PROFA - MODULO 2- UNIDADE 1)


5. INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA DURANTE AS ATIVIDADES

Sabemos que a intervenção pedagógica do professor durante as atividades é condição para que os alunos avancem em seus conhecimentos. Assim, não basta que a atividade seja interessante, ela precisa favorecer a construção e o uso de seus conhecimentos, ou seja, a atividade proposta deve ser em si, portadora de desafios, deve colocar um problema a ser resolvido para que, na tentativa de solucioná-lo, os alunos possam pôr em jogo tudo o que sabem sobre o conteúdo proposto.

A possibilidade de os alunos evoluírem em sua aprendizagem será maior quanto mais a atividade estiver adequada às suas necessidades de aprendizagem e quanto mais os agrupamentos forem criteriosamente planejados . Nesse sentido, o professor que acompanha intervindo na aprendizagem de seus alunos potencializa o processo.

O professor tem um papel fundamental durante a atividade, pois, além de contribuir com a aprendizagem de seus alunos, selecionando conteúdos pertinentes, planejando atividades adequadas e formando agrupamentos produtivos, planeja, também, a intervenção pedagógica.

Faz-se necessário, salientar que o professor não conseguirá acompanhar todos os alunos em um mesmo dia. Para isso, ele precisará organizar um registro de acompanhamento, uma espécie de mapa, com: data, nome dos alunos que forem observados mais criteriosamente, tipo questões colocadas/reveladas por eles etc.

Vale lembrar que a possibilidade de circular pela classe, fazendo intervenções é facilitada pelo trabalho em grupo- quando se tem uma classe numerosa. Com todos trabalhando individualmente, é muito mais difícil intervir na atividade de cada um e, ao mesmo tempo, controlar a classe. Se o professor tem, por exemplo, 36 alunos divididos em 18 duplas que já sabem trabalhar em parceria, será preciso controlar 18 agrupamentos que tendem a funcionar bem, e não 36 alunos que o tempo todo requisitam apenas o professor.
6. INTERAÇÕES EM SALA DE AULA
Nas atividades cotidianas, a prática tem mostrado que o trabalho em colaboração é muito mais produtivo para a aprendizagem dos alunos, especialmente as duplas (mas também os trios e grupos) têm-se revelado uma boa opção se os critérios de agrupamento forem adequados.

O trabalho em dupla ou grupo favorece a socialização dos conhecimentos entre os alunos, que podem confrontar e compartilhar suas hipóteses, trocando informações, aprendendo diferentes procedimentos, defrontando-se com problemas sobre os quais não haviam pensado.

De acordo com Weiz (1999), as interações devem ser pensadas tanto do ponto de vista do que se pode aprender durante a atividade como do ponto de vista das questões que cada aluno pode levar para pensar . Outro fator importante a considerar, além do conhecimento que os alunos possuem, são suas característica pessoais: seus traços de personalidade, por um lado, e a disposição de realizar atividades em parceria com um determinado colega, por outro . Às vezes, a tomar pelo nível de conhecimento, a dupla poderia ser perfeita, mas o estilo pessoal de cada um dos alunos indica que é melhor não juntá-los, pois o trabalho tenderia a ser improdutivo.
7. ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO

Quando você for organizar seu ambiente de sala de aula, saiba que essa organização não deve ser fixa , e sim determinada pelos objetivos a serem trabalhados em cada atividade, pelas próprias condições físicas do prédio e pelo numero de alunos existentes em cada sala .

De acordo com o que propõe os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998) é preciso que em sala de aula as carteiras sejam móveis. Que as crianças tenham acesso aos materiais de uso freqüente, as paredes sejam utilizadas para exposição de trabalhos individuais e coletivos, desenhos, murais.

Nessa organização é preciso considerar a possibilidade de os alunos assumirem a responsabilidade pela decoração, ordem e limpeza da classe. Quando o espaço é tratado dessa maneira, passa a ser objeto de aprendizagem e respeito, o que somente ocorrerá por meio de investimentos sistemáticos ao longo da escolaridade.

Vale salientar que o espaço de aprendizagem não se restringe à escola, sendo necessário propor atividades que ocorram no espaço extra-escolar. A programação deve contar com passeios, excursões, teatro, cinema, visitas, enfim, com as possibilidades existentes em cada local e as necessidades de realização do trabalho escolar.

Sugerimos a você que, no trabalho pedagógico do dia-a-dia, aproveite os espaços externos para realizar as atividades cotidianas, como ler, contar histórias, fazer desenho de observação, buscar materiais para coleções.
Para pensar...
“Sabemos que a aprendizagem só acontece se for significativa e contextualizada. Isso acontece com a criança e também com o professor. Sendo assim, só teremos uma rotina planejada adequadamente se realmente conhecermos: nossos alunos, as bases teóricas sobre ensino e aprendizagem, os procedimentos didáticos e seus objetivos - para então, transpormos esses conhecimentos à prática pedagógica e refletirmos sobre essa prática - através de estudos, registros e discussões coletivas, como também ir em busca do que ainda não sabemos. Só assim o professor terá autonomia sobre seus conhecimentos e sobre sua ação pedagógica...”

Clarice P Souza
Bibliografia

Secretaria de Educação Fundamental.PCN, Brasília: MEC/SEF,1997.

Secretaria de Educação Fundamental, RCN: Educação Infantil.Brasília:MEC/SEF,2001.

Secretaria de Educação Fundamental. PROFA (Programa de formação de professores Alfabetizadores).Brasília MEC/SEF,2001.

Lerner, Delia.É Possível Ler na Escola?In: Lerner, D. Ler e Escrever na Escola:O Real, O Possível e o Necessário.Porto Alegre: Artmed,2002

Weisz,Telma. O Diálogo Entre o ensino e a Aprendizagem. São Paulo: Ática, 2000

Coll, C. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

Zaballa, A. A prática educativa: como ensinar. Porto alegre: Artmed,1998

O que (não) fazer no Dia do Indio

O que (não) fazer no Dia do Índio
Na data em homenagem aos primeiros habitantes do Brasil, uma série de estereótipos e preconceitos costuma invadir a sala de aula. Saiba como evitá-los e confira algumas propostas de especialistas de quais conteúdos trabalhar.

Ricardo Ampudia (novaescola@atleitor.com.br)

Mais sobre Educação Indígena

O Dia do Índio é comemorado em 19 de abril no Brasil para lembrar a data histórica de 1940, quando se deu o Primeiro Congresso Indigenista Interamericano. O evento quase fracassou nos dias de abertura, mas teve sucesso no dia 19, assim que as lideranças indígenas deixaram a desconfiança e o medo de lado e apareceram para discutir seus direitos, em um encontro marcante.

Por ocasião da data, é comum encontrar nas escolas comemorações com fantasias, crianças pintadas, música e atividades culturais. No entanto, especialistas questionam a maneira como algumas dessas práticas são conduzidas e afirmam que, além de reproduzir antigos preconceitos e estereótipos, não geram aprendizagem alguma. "O indígena trabalhado em sala de aula hoje é, muitas vezes, aquele indígena de 1500 e parece que ele só se mantém índio se permanecer daquele modo. É preciso mostrar que o índio é contemporâneo e tem os mesmos direitos que muitos de nós, 'brancos'", diz a coordenadora de Educação Indígena no Acre, Maria do Socorro de Oliveira.

Saiba o que fazer e o que não fazer no Dia do Índio:
1. Não use o Dia do Índio para mitificar a figura do indígena, com atividades que incluam vestir as crianças com cocares ou pintá-las.

Faça uma discussão sobre a cultura indígena usando fotos, vídeos, música e a vasta literatura de contos indígenas. "Ser índio não é estar nu ou pintado, não é algo que se veste. A cultura indígena faz parte da essência da pessoa. Não se deixa de ser índio por viver na sociedade contemporânea", explica a antropóloga Majoí Gongora, do Instituto Socioambiental.
2. Não reproduza preconceitos em sala de aula, mostrando o indígena como um ser à parte da sociedade ocidental, que anda nu pela mata e vive da caça de animais selvagens.
Mostre aos alunos que os povos indígenas não vivem mais como em 1500. Hoje, muitos têm acesso à tecnologia, à universidade e a tudo o que a cidade proporciona. Nem por isso deixam de ser indígenas e de preservar a cultura e os costumes.

3. Não represente o índio com uma gravura de livro, ou um tupinambá do século 14.
Sempre recorra a exemplos reais e explique qual é a etnia, a língua falada, o local e os costumes. Explique que o Brasil tem cerca de 230 povos indígenas, que falam cerca de 180 línguas. Cada etnia tem sua identidade, rituais, modo de vestir e de se organizar. Não se prenda a uma etnia. Fale, por exemplo, dos Ashinkas, que têm ligação com o império Inca; dos povos não-contatados e dos Pankararu, que vivem na Zona Sul de São Paulo.

4. Não faça do 19 de abril o único dia do índio na escola

A Lei 11.645/08 inclui a cultura indígena no currículo escolar brasileiro. Por que não incluir no planejamento de História, de Língua Portuguesa e de Geografia discussões e atividades sobre a cultura indígena, ao longo do ano todo? Procure material de referência e elabore aulas que proponham uma discussão sobre cultura indígena ou sobre elementos que a emprestou à nossa vida, seja na língua, na alimentação, na arte ou na medicina.
5. Não tente reproduzir as casas e aldeias de maneira simplificada, com maquetes de ocas
"Oca" é uma palavra tupi, que não se aplica a outros povos. O formato de cada habitação varia de acordo com a etnia e diz respeito ao seu modo de organização social. Prefira mostrar fotos ou vídeos.

6. Não utilize a figura do índio só para discussões sobre como o homem branco influencia suas vidas
Debata sobre o que podemos aprender com esses povos. Em relação à sustentabilidade, por exemplo, como poderíamos aprender a nos sentir parte da terra e a cuidar melhor dela, tal como fazem e valorizam as sociedades indígenas?

Fonte: Revista Nova Escola - Publicado em ABRIL 2011

sábado, 8 de maio de 2010

TEXTO PARA REFLETIR...




Equívocos em série

Aulas perdidas, desrespeito à diversidade cultural e à liberdade religiosa... Aqui, os dez erros mais comuns nas festas escolares

Ilustração: Walter Vasconcelos
Ilustração: Walter Vasconcelos
Durante o ano, temos 11 feriados nacionais - na média de um a cada cinco semanas -, um monte de datas para lembrar pessoas (Dia das Mães, dos Pais, das Crianças, do Índio) e fatos históricos (Descobrimento do Brasil, Proclamação da República). Sem contar os acontecimentos de importância regional. Nada contra eles. O problema é que muitas vezes a escola usa o precioso tempo das aulas para organizar comemorações relacionadas a essas efemérides. O aluno é levado a executar tarefas que raramente têm relação com o currículo. Muitos professores acreditam que estão ensinando alguma coisa sobre a questão indígena no Brasil só porque pedem que a turma venha de cocar no dia 19 de abril - o que, obviamente, não funciona do ponto de vista pedagógico
1. O desnecessário vínculo com efeméridesFestas são bem-vindas na escola, mas com o simples - e importante - propósito de ser um momento de recreação ou de finalização de um projeto didático. É a oportunidade de compartilhar com os colegas e com os familiares o que os alunos aprenderam (leia mais no quadro abaixo). No entanto, não é isso que se vê por aí. A seguir, os dez principais equívocos dos eventos escolares.
Essa palavra estranha tem origem na astronomia e dá nome a uma tabela que informa a posição de um astro em intervalos de tempo regularmente espaçados. No popular, o termo é usado no plural e significa a seqüência de datas lembradas anualmente. Algumas têm dia fixo (Independência, Bandeira); outras, não (Carnaval, Dia das Mães). Até aí, nada de mais. O problema é quando a escola usa tudo isso como base para montar o currículo. "Planejar o ano letivo seguindo efemérides desfavorece a ampliação de conhecimentos sobre fatos e conceitos", afirma Marília Novaes, psicóloga e uma das coordenadoras do programa Escola que Vale, de São Paulo. Exemplo? Dia do Índio. A lembrança não envolve estudos sobre as questões social, histórica e cultural das nações indígenas brasileiras. Para haver aprendizagem, é preciso muita pesquisa e mais do que um dia festivo. Outro caso? Folclore. A escola é invadida por cucas, sacis e caiporas em agosto, já que o dia 22 é dedicado a ele por decreto. Ora, se o planejamento prevê o uso de parlendas e trava-línguas durante o processo de alfabetização e de estruturas narrativas, no ensino de Língua Portuguesa, que tragam informações sobre tradições, crenças e elementos da cultura popular, isso basta para que o tema seja tratado em qualquer época. Sem contar os tópicos cuja expressividade é questionável (Semana da Primavera) ou controversa, como o Dia dos Pais e o das Mães: "Enfatizar datas comerciais como essas é ignorar as mudanças no perfil da família brasileira, que nem sempre conta com as duas figuras em casa", completa a psicóloga.

2. O desrespeito à liberdade religiosa
Dos 11 feriados nacionais, cinco têm origem no catolicismo (Páscoa, Corpus Christi, Nossa Senhora Aparecida, Finados e Natal). As escolas que seguem essa religião lembram as datas. O problema é que as escolas públicas também. Segundo a Constituição da República, o Brasil é um Estado laico, ou seja, sem religião oficial. Porém, em quase todas as unidades de ensino há algum tipo de comemoração: as crianças da Educação Infantil (não importa se têm ou não religião) se fantasiam de coelhinho e pintam ovos em papel mimeografado. No fim do ano, uma árvore de Natal, com bolas e luzes, é montada na recepção ou no pátio. Segundo o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nos anos 1990, a maioria da população brasileira (73%) é católica. Mas uma escola inclusiva não esquece que os filhos dos 15% de evangélicos e dos 12% de seguidores de outros cultos ou não pertencentes a um deles também estão na sala de aula, certo? Para Renata Violante, consultora pedagógica do Instituto Sangari, em São Paulo, os educadores não podem dar a entender que uma religião é superior a outra (quais são mesmo as datas importantes para espíritas, judeus, budistas, islâmicos e tantos outros?). Existem espaços próprios para cultos. Definitivamente, a escola não é um deles. As festas juninas são um caso à parte: elas se tornaram uma instituição e perderam o vínculo religioso. O enfoque folclórico, resgatando alguns hábitos e brincadeiras e a culinária do homem do campo, tornaas mais democráticas.
3. A confusão entre o currículo e o tema da festa
A festa não ter relação com o currículo é um problema. Mas outro tão grave quanto é usá-la como pretexto para ensinar. "Já que temos de fazer bandeirinhas para enfeitar barraquinhas, então vamos aproveitar para ensinar geometria", pensam alguns professores bem-intencionados, esquecendo que um ensino eficiente requer planejamento, avaliação inicial e contínua e uma seqüência lógica que leve à construção do conhecimento. É como se, de repente, estimar a quantidade de pipocas no saquinho virasse conteúdo de Matemática.
4.  O mau uso das poucas horas dedicadas às aulas de Arte
Não raro, o espaço que seria utilizado para essa disciplina é convertido em oficina de enfeites. Para colocar o aluno em situação de aprendizagem, é papel do professor de Arte propor atividades que favoreçam o percurso criador. "A subjetividade não pode ser ofuscada pelo sentido objetivo e funcional do ornamento, com caráter unicamente estético", afirma José Cavalhero, coordenador pedagógico do Instituto Rodrigo Mendes, em São Paulo. Na confecção de bandeirinhas, por exemplo, as crianças são orientadas a seguir um modelo preestabelecido sem dar espaço a suas marcas pessoais nem enfatizá-las. O modelo, que serviria apenas como referência para a elaboração de outras possibilidades, vira matriz para cópias – e a arte é um procedimento mais abrangente do que isso. A produção do estudante deve ter um propósito maior do que atender à expectativa do professor. "Caso a ocupação do ambiente festivo seja encarada como uma instalação ou intervenção artística, aí, sim, o aluno aprende em Arte", afirma Cavalhero.
5.  A estereotipação dos personagens
Caipira com dente preto e roupas remendadas em junho, cocares e instrumentos de percussão em meados de abril. Esses estereótipos não correspondem à realidade. Homens e mulheres que moram no interior não se vestem dessa maneira, e os índios brasileiros vivem em contextos bem diferentes. "É inconcebível se divertir com base em elementos que remetem à humilhação e à ridicularização do outro", diz Mario Sérgio Cortella, filósofo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em sua opinião, essas práticas destoam da intenção educativa acolhedora e pluralista, pois, toda vez que se trata o outro com estranhamento, se promove a idéia de que há humanos que valem mais e outros, menos. "Quadrilha, sim, mas sem maquiagem nem fantasias grotescas que humilhem o homem do campo", completa Cortella.
6. A obrigatoriedade da participação
"Professora, não quero dançar", diz um. "Tenho vergonha de falar na frente de todo mundo", avisa outro. Quem já não ouviu essas frases dias antes de um evento escolar? Quando a festa nada tem a ver com a aprendizagem, os alunos não são obrigados a participar. Nesses casos, é proibido causar qualquer tipo de constrangimento a eles. Cabe ao professor colocar pouca ênfase nos momentos não relacionados ao aprendizado. "Imagine o que uma criança sente quando é colocada à força no meio da quadrilha. É uma atitude desrespeitosa com os sentimentos e a individualidade dela", afirma Maria Maura Barbosa, do Centro de ocumentação para a Ação (Cedac), de Paraupebas, a 700 q uilômetros de Belém. Ela afirma ainda que alguns pais optam por não se envolver por razões financeiras. "Quem não tem condição de arcar com uma fantasia para os filhos fica envergonhado e não participa. Fala-se tanto em inclusão, mas as festas às vezes excluem."
7. A finalidade incerta dos recursos arrecadados
Pequenas reformas, mobiliário novo, material pedagógico... Quando a verba que vem da secretaria não dá para comprar tudo, pensa-se em festa para arrecadar fundos. A comunidade é convidada, participa, gasta, e muitas vezes não fica sabendo o destino dos recursos. Pior, às vezes o dinheiro que seria usado na ampliação da biblioteca ou na compra de computadores vai para outro fim. A solução é divulgar o objetivo da iniciativa e prestar contas quando o bem for adquirido. Em tempo: a arrecadação sempre aumenta quando bebidas alcoólicas são vendidas. Renata Violante não acredita em meio-termo: "A bebida deve ser proibida. Os diretores que inventem outras maneiras de obter mais dinheiro".
8. O objetivo principal ser apenas atrair os pais
Eles não costumam ir às reuniões, não conversam com os professores sobre o avanço dos filhos e mal conhecem a escola. Os diretores pensam: "Quem sabe, para se divertirem, os pais venham até nós". Embora os momentos de confraternização com os familiares sejam importantes, eles não devem ser a única maneira de envolvê-los. Reuniões marcadas com antecedência e planejadas para compartilhar o processo de aprendizagem e a produção intelectual, artística e esportiva das crianças são as iniciativas que exibem os melhores resultados quando o objetivo é atrair e conquistar as famílias.
9. A única maneira de socializar a aprendizagem
Um dos objetivos da escola deve ser exibir a produção intelectual e artística do aluno, principalmente aos pais, nas mais variadas ocasiões. Fazer uma festa é apenas uma possibilidade, por isso não deve ser usada em excesso. Geralmente, o caráter de recreação costuma dificultar a apresentação dos saberes. "Já feiras e exposições favorecem o foco no conhecimento e permitem ainda situações de comunicação oral formal, importante maneira de compartilhar o aprendizado", explica Maura Barbosa, do Cedac. Exemplos: um seminário sobre um conteúdo trabalhado em Ciências ou um sarau de poesia. (E, depois disso tudo...)
10. O precioso tempo jogado fora
Usar a sala de aula ou o período que deveria ser dedicado a atividades pedagógicas para os preparativos é um desrespeito com as crianças e com o compromisso que a escola tem de ensinar. "O diretor raramente investe na ref lexão sobre os indicadores de aprendizagem dos alunos o mesmo tempo que gasta com a produção dos eventos. O professor, por sua vez, deixa de promover situações intencionais de ensino", afirma Maura. Se a festa não é concebida como maneira de contextualizar os conteúdos aprendidos, ela deve ser organizada sempre em horários alternativos aos das aulas.
Tem de ter festa!
Ninguém é contra festas, desde que elas sejam para recreação pura e simples ou uma maneira de socializar o aprendizado. As do primeiro tipo podem envolver todos e ser muito divertidas, desde que não ocupem o tempo de sala de aula na organização. Já as que são planejadas para finalizar o estudo de determinado conteúdo exigem muito preparo. Quando o evento faz parte do projeto didático, o tema precisa ser previsto no currículo (e é dispensável a relação com efemérides) e nada mais justo do que usar o tempo de sala de aula para a sua produção (que também envolve aprendizado). Antes de bolarem o evento junto com o professor, os alunos certamente serão convidados a pesquisar, levantar hipóteses, realizar diversos tipos de registros e trocar conhecimentos com os colegas. Já que a festa é uma das etapas do processo, fica proibido deixar alguém de fora. Se um aluno não quiser participar por qualquer motivo, cabe ao professor envolvê-lo e ajudá-lo a superar as dificuldades que surgirem, seja em relação a timidez, seja em relação a habilidades de comunicação.

segunda-feira, 1 de março de 2010

DIAGNÓSTICO INICIAL


Você sabe o que eles já sabem

Fazer a sondagem do que os alunos conhecem no início do ano é essencial para melhorar a aprendizagem

Anderson Moço (gestao@atleitor.com.br)
Fotos: Dercílio/Ilustrações: Daniella Domingues
Fotos: Dercílio
Ilustrações: Daniella Domingues


Todo início de ano é igual. Novos alunos chegam à escola, outros partem, e a progressão dos estudantes faz com que os professores enfrentem sempre o desafio de acompanhar uma nova turma. Além de memorizar rostos e associá-los aos nomes, uma tarefa mais difícil (e importante) os aguarda: investigar o que cada aluno já sabe para planejar as primeiras aulas do ano.

A edição de fevereiro de NOVA ESCOLA traz a reportagem de capa com o título É Hora de Conhecer o Que Eles Já Sabem, sobre o chamado diagnóstico inicial, ou sondagem das aprendizagens. O diretor, nas reuniões deste início de ano, deve reforçar para a equipe a importância de realizar essa atividade fundamental para a melhoria do diálogo entre o ensino e a aprendizagem. Afinal, não dá para decidir que os alunos precisam aprender sem antes descobrir o nível de conhecimento que eles já têm.

É papel do gestor e da coordenação pedagógica lembrar aos docentes que, diferentemente do que muitos acreditam, as crianças costumam saber muita coisa. "Antes mesmo de entrar na escola, elas têm ideias prévias sobre quase todos os conteúdos escolares. Desde pequenas, elas interagem com o mundo e tentam explicá-lo", afirma Jussara Hoffmann, especialista em Educação e professora aposentada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). "É preciso conhecê-las para não repetir conceitos nem propor tarefas além do que a garotada é capaz de compreender." Daí a importância da avaliação inicial. "Esse olhar é imprescindível para construir uma visão detalhada de cada estudante e, com isso, poder planejar as aulas com base nas reais necessidades de aprendizagem do grupo", explica Jussara.